O(s) assunto(s) do blog

Não nego que sou pessoa de muitos e variados interesses. Formado em história, estudante de psicanálise, acompanho com prazer uma série de esportes (não só o futebol, como também o basquete da NBA, a Fórmula-1, o tênis, apenas para citar alguns), gosto de música popular e clássica, cinema etc. Levando em conta isso, identifico, já desde o início, dois riscos grandes para este blog:

1) Ele pode ficar disperso, ao querer tratar de muitos assuntos ao mesmo tempo, e com isso não ter leitores habituais. É um risco a se correr, que procurarei evitar mostrando as relações entre os temas aqui tratados, como as vejo, e me policiando para evitar dispersões exageradas;

2) Por outro lado, o blog corre o risco de, numa comparação de estilo apenas (sem qualquer comparação de mérito, conteúdo ou divulgação), ficar parecido com, por exemplo, o do Daniel Piza, articulista do Estado de S. Paulo. No sentido de que Piza, em colunas fixas ou artigos de jornais, fala sobre futebol, política, economia, história, psicanálise, artes, literatura, cinema, teatro, música, biologia e mais dezenas de outras coisas que não tenho paciência de ficar citando aqui, sempre de um ponto de vista superior, de alguém que conhece profundamente e sabe muito sobre tudo isso e mais um pouco, e que faz o grande favor de compartilhar seu saber com reles mortais que o leem. Para mim, tais blogs e colunas são apenas exercícios de exibição egocêntrica e narcisística, em que mais importante do que o que está sendo escrito é quem está escrevendo. Para minimizar esse risco, procurarei, inicialmente,  concentrar os assuntos sobre os quais falarei, em especial história, esportes e psicanálise, por considerar que são campos nos quais meu conhecimento é um pouco melhor e posso acrescentar algo válido. Mas também, ao falar desses e de outros assuntos, procurarei não assumir uma postura dogmática ou arrogante, mas deixar bem claro que são minhas opiniões, e que estou aberto a discordâncias o tempo todo, além de, sempre que possível, procurar linkar ou recomendar fontes ou artigos mais aprofundados sobre o mesmo tema.

Com toda a diferença de dimensão, número de leitores  e assuntos tratados, meu modelo de blog seria mais o do Luis Nassif, que está nos recomendados à direita, em que os comentaristas sugerem outros assuntos, trazem contribuições muitas vezes melhores do que o próprio blogueiro, e em que o blogueiro também admite sua falta de conhecimento de determinados assuntos e recebe com alegria outras contribuições. Modestamente, será minha tentativa.

Considerações sobre o título do blog

É no mínimo engraçado eu começar este blog pessoal falando exatamente de Reinaldo Azevedo, blogueiro e articulista da cada vez pior revista Veja. Ora, eu leio de vez em quando o tal blog mais como uma diversão, porque tal amostra de autoritarismo, arrogância, pedantismo e grosseria, sempre a serviço de interesses políticos escusos, já que não assumidos, não pode ser levada a sério mesmo. Além disso, em termos políticos, nossas opiniões não poderiam ser mais opostas, muitas vezes, em assuntos sobre os quais não tenho opinião formada, eu procuro ver a opinião dele, pois aí sei que devo seguir a contrária...

Toda essa introdução só para dizer que uma vez (não me lembro quando e não vou ter o trabalho de procurar no blog dele, sinto muito) li um comentário de Reinaldo a respeito da frase que coloquei no título deste blog, do autor romano Terêncio. E o comentário dele chamou minha atenção, porque era uma interpretação diferente da que sempre tive da frase. Para ele, a frase era uma espécie de confissão de que a espécie humana era capaz das piores coisas possíveis, e portanto não devemos nos assustar com isso, já que nada que é humano nos deveria ser estranho... Eu sempre tive uma interpretação mais otimista, por assim dizer: vejo a frase como uma bela mostra de que qualquer detalhe ou assunto, qualquer conhecimento humano, mesmo que pareça ser ridículo ou não fazer sentido, é válido, por dizer algo do ser humano; por mostrar algo dos humanos, no plural, e do humano, no singular.

Isto quer dizer que eu sou mais otimista, talvez  mais ingênuo, do que Reinaldo? Espero que não. Mas acho que tal visão tem a ver com o fato de eu ter grande interesse por um grupo de aspectos humanos, dos quais pretendo modestamente tratar aqui, como história, filosofia, antropologia, psicanálise, e, por que não, esportes. E um dos aspectos que mais me atraem em tais assuntos é a percepção da diferença e da semelhança que agem na vida humana, de maneira dialética. Ao mesmo tempo, cada sociedade, cada período histórico, cada local, cada pessoa são diferentes em uma série de aspectos, mas se pode verificar elementos de semelhança que provêm do fato de que, afinal, é a mesma espécie, o mesmo ser humano que está por trás de cada um desses aspectos. Por isso, prefiro a minha interpretação da frase, sem querer negar a existência frequente das atrocidades humanas, e gostaria que quem lesse este blog compreendesse que é por esta minha visão que a escolhi como título deste blog.